quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Vale a pena estudar Medicina na UNEMAT?


Vale a pena estudar Medicina na UNEMAT? Esta é uma pergunta muito comum que os estudantes fazem ao ouvir falar sobre o Curso de Medicina da UNEMAT no campus de Cáceres, em Mato Grosso (MT). É uma decisão acertada estudar em um curso criado recentemente, com a primeira turma que ingressou em agosto de 2012, e que atravessou uma greve de 76 dias?

Para saber esta resposta, é preciso conhecer um pouco sobre como funciona a formação de um médico no Brasil. Em novembro de 2001, o Conselho Nacional de Educação, com homologação do MEC, divulgou as novas diretrizes curriculares do curso de Graduação em Medicina. A proposta prevê um médico com formação “generalista, humanista, crítica e reflexiva”.

Tais diretrizes estabelecem parâmetros para o projeto pedagógico do curso de Medicina. A proposta é de aprendizado centrado no aluno, com professor no papel de facilitador e mediador do processo ensino-aprendizagem. Essa proposta ganhou força ao longo de anos de discussão sobre o ensino da Medicina em diversos países.

Para se conhecer um pouco dessa história, até o século XV, o ensino na Europa era destinado aos religiosos. A separação entre religião e medicina veio com o Racionalismo, e, já no século XVIII, os hospitais passaram a ter fins terapêuticos. No século seguinte, chegavam ao Brasil os primeiros médicos, formados na Universidade de Coimbra, em Portugal. O primeiro curso de Medicina no país foi criado na Bahia em 1808, após a chegada da família imperial. Em seguida, surgiu a faculdade do Rio de Janeiro.

 A necessidade de reforma curricular foi apontada pela primeira vez por Flexner, em 1910, nos Estados Unidos, e por Osler, em 1913, no Reino Unido. Desde então, várias escolas médicas adotaram o chamado modelo flexneriano, também conhecido como tradicional. Ele é, em sua essência, individualista, com ênfase no médico especialista.

 No Brasil, esse modelo americano só foi adotado a partir da Reforma Universitária de 1968 (Lei n.° 5.540/68), com dois ciclos, o básico (aulas de biologia, anatomia, fisiologia, histologia, fisiopatologia, genética, parasitologia) e o profissionalizante ou clínico (contato com pacientes em hospitais). Esse, então, é o método hoje mais difundido nas universidades de Medicina do país. De forma simplista, dizemos que os dois primeiros anos são a base teórica do curso; já os dois anos seguintes, a parte mais prática da medicina propriamente dita; e os dois últimos anos são o internato (ou estágio).

Nesse método, tradicional, predominam aulas teóricas, com ênfase na doença e no conhecimento fragmentado em disciplinas. O processo de ensino-aprendizagem é centrado no professor, em aulas expositivas e demonstrativas. 

Em busca de uma Medicina mais integrada e atualizada, duas novas abordagens surgiram: uma clínica, chamada Medicina Baseada em Evidências (MBE), e a outra, pedagógica, a Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP – em inglês, PBL, Problem-Based Learning).

O PBL foi implantado na Universidade de McMaster, no Canadá, em 1969, e se propagou para outras escolas e países, como a Universidade de Maastricht, na Holanda, e Harvard, nos Estados Unidos, dentre outras. 

No Brasil, a Faculdade de Medicina de Marília (FAMEMA) foi pioneira na implantação deste método na América Latina, em 1997. Hoje, também adotam o PBL no país os cursos de Medicina da Universidade Estadual de Londrina, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, da Universidade Estadual de Santa Cruz, da Universidade Estadual de Feira de Santana, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia e da Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC). Em 2012, a Universidade do Estado de Mato Grosso deu inícios às aulas de Medicina com adesão à metodologia PBL. 

No PBL, há um princípio teórico significativo: a autonomia. Por definição, é uma estratégia de ensino centrada no estudante, o qual assume o papel de agente responsável pela própria aprendizagem. Nesse método, utilizado na UNEMAT, a estratégia central de educação baseia-se na discussão de situações-problema, elaboradas pelos docentes. 

Na prática, os alunos, desde o primeiro semestre, aprendem discutindo casos clínicos. Não existe essa separação de ciclos. São teoria e prática integradas durante quatro anos, e internato nos últimos dois anos. No curso de Medicina PBL na UNEMAT, não existem turmas grandes. Só entram 30 alunos por semestre, e a turma é dividida em três grupos de tutoria de 10 alunos cada, que discutem os tais casos clínicos. Esses grupos são rotativos e dinâmicos. Assim, o aluno tem muito mais facilidade em participar e interagir com colegas e professores. Essa prática ajuda pessoas mais tímidas a se expressarem e também possibilita desenvolver nos alunos o senso crítico e a habilidade de conversar, de aprender a falar e ouvir em grupo.

Além da tutoria, os alunos, desde o primeiro semestre, também são divididos em grupos e participam de atividades em postos de saúde (Estratégia Saúde da Família). Com o andamento do curso, grupos também são formados para os ambulatórios nos hospitais. Esses grupos são igualmente rotativos por semestre.

Essas atividades com os pacientes desde cedo faz o aluno perder, aos poucos, o medo da prática médica, mas, ao mesmo tempo, o obriga a estudar muito desde o primeiro semestre para não cometer erros. Ao final de quatro anos, o acadêmico já teve a oportunidade de familiarizar-se bem com procedimentos básicos da rotina médica e de desenvolver a habilidade de comunicação com os pacientes, um diferencial em relação a muitas faculdades tradicionais.

Há, ainda, atividades que reúnem os 30 alunos na mesma sala. Os acadêmicos da mesma turma  estudam juntos em algumas disciplinas, como Farmacologia, Histologia, Anatomia, Patologia e outras. 

Ao final das disciplinas, faz-se a prova teórica. Apesar de as aulas não serem na maioria expositivas, como se está acostumado, ainda assim tem-se uma avaliação escrita como parâmetro de aprendizado. 

Assim, é possível observar que o método PBL traz vantagens em relação ao modelo tradicional. Não foi à toa que McMaster, Maastricht e Harvard o adotaram. E hoje, algumas faculdades muito tradicionais também pensam em mudar o método ou já buscam implantar algumas práticas do PBL. 

Dessa forma, o Curso de Graduação em Medicina da UNEMAT está na vanguarda do que há de mais moderno em metodologia de ensino médico. Porém, e a infraestrutura? Qual a situação da faculdade nesse aspecto?

Aí que entram as conquistas da greve. Você pode saber mais detalhes clicando aqui. Em resumo, das principais conquistas, o curso recebeu quase R$ 100 mil em livros de Medicina, que hoje estão na Biblioteca Central. O prédio do Curso tem wi-fi aberto para pesquisas. Os laboratórios contam com peças anatômicas humanas e sintéticas. Professores foram contratados e treinados na metodologia PBL. O prédio novo de laboratórios está sendo construído. 

E o que mais a UNEMAT oferece? Hoje, o curso conta com a Revista Ciência e Estudos Acadêmicos de Medicina para a divulgação de artigos científicos. Todos os estudantes são estimulados a ler, a pesquisar e a publicar, o que os ajuda a aprimorar o conhecimento e, como bônus, a construir um bom currículo. Também, existe o Centro Acadêmico Dr. Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti para discutir as demandas acadêmicas.





Estudando na UNEMAT, o aluno tem a possibilidade de intercâmbio e de mobilidade acadêmica. Um grupo de estudantes do curso tem se mobilizado para, em um futuro breve, adquirir conhecimento em outros países por meio da Federação Internacional de Associações de Estudantes de Medicina (IFMSA). Além disso, a própria UNEMAT fornece a opção de estudar um semestre em outra universidade do Brasil. Em 2016-1, foram ofertadas vagas para alunos de Medicina para a Universidade Estadual do Ceará e para a Universidade Estadual Paulista (UNESP).

Há, ainda, monitorias, projetos com docentes e o Grupo de Ensino, Pesquisa e Extensão Baseado em Evidências Médicas (GEPEM). A Coordenação do Curso de Medicina participa ativamente deste grupo, que visa ajudar o aluno a desenvolver pesquisas na área médica e a elaborar projetos. É um espaço para quem busca um diferencial e deseja destacar-se em uma especialidade.

As Ligas Acadêmicas fazem atividades teóricas e práticas, e eventos. São elas: Liga Acadêmica de Urgência e Emergência de Cáceres (LAUREMC), Liga Acadêmica de Pediatria de Cáceres (LAPEC), Liga Acadêmica de Anatomia Clínica e Cirúrgica de Cáceres (LAACCC), Liga Acadêmica de Cardiologia e Cirurgia Cardiovascular (LACCIC), Liga Acadêmica de Cirurgia Geral de Cáceres (LACG), Liga Acadêmica de Clínica Médica de Cáceres (LACMe), Liga Acadêmica de Fisiologia e Farmacologia de Cáceres (LAFFC), Liga Acadêmica de Neurologia e Neurocirurgia de Cáceres (LANNC) e Liga Acadêmica de Medicina Intensiva (LIGAMI). Novas ligas devem ser abertas.


Para quem gosta de esportes e de socialização, o Curso de Medicina conta com a Atlética Maldita – Associação Atlética Acadêmica Dr. Antônio Fontes (A.A.A.D.A.F), que promove festas, eventos, viagens e jogos de diversas modalidades, além de competições esportivas.

Com todos esses atrativos, tem-se a impressão de que não há contratempos. Isso não é verdade. Ainda existem disciplinas com dificuldade de contratação de professor. Além disso, a atuação dos alunos no hospital ainda não é plena, porém a regularização das atividades pendentes está em discussão com a Diretoria do Hospital Regional de Cáceres e há um esforço grande para que isso seja definido. Também, por ser uma metodologia ativa, exige-se intensa dedicação, proatividade e organização dos alunos, e nem todos conseguem se adaptar a não ter muitas aulas expositivas. Ainda, existe uma dificuldade inerente em relação à cidade de Cáceres, que não possui transporte público, tem opções limitadas de lazer e aluguel, e fica distante do aeroporto de Várzea Grande, cerca de 220 km, o que pode ser um obstáculo extra para alunos de outros estados do país. 

Em resumo, no Curso de Medicina da UNEMAT, o ensino é público, de qualidade, com metodologia inovadora e utilizada em Harvard, com busca de uma infraestrutura cada vez melhor, alunos integrados, professores mais acessíveis, materiais novos, bonecos simuladores semelhantes aos de grandes faculdades, livros atualizados e oportunidades de pesquisa e extensão. Por outro lado, é um curso novo, com desafios, em uma cidade longe do grande centro e com limitações. 

Assim, retomando a pergunta inicial: Vale a pena estudar Medicina na UNEMAT? A resposta depende do que é prioridade na vida de cada acadêmico. Porém, um fator é muito claro e não deve ser ignorado: independentemente de onde se estude, e por mais facilitadora que uma universidade possa ser, ou por mais tradição que tenha, quem faz a própria formação é o aluno


PARA SABER MAIS
Acesso o Manual do Calouro e descubra um pouco sobre a criação do Curso, o que são as Ligas Acadêmicas e Atlética e outras curiosidades da faculdade e da cidade, como opções de alimentação, moradia e hospedagem (Manual do calouro 2015-1 e Manual do calouro 2015-2).



Tags: Medicina - UNEMAT - Graduação - Greve estudantil - Sisu - ENEM - Cáceres - Mato Grosso - médicos - escolas médicas

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Um ano após a greve estudantil: muitas conquistas e esperança

O que mudou um ano depois da greve estudantil da Medicina UNEMAT
Crédito: Juliana Debei Herling

Criação do novo Projeto Político Pedagógico do Curso de Medicina da UNEMAT, institucionalização das Ligas Acadêmicas, retomada da obra dos laboratórios, aquisição de peças anatômicas humanas, compra de livros de Medicina para a Biblioteca Central no valor de quase cem mil reais, contratação de professores por meio de concurso e processos seletivos, obtenção de identificação estudantil para entrada em hospital, criação do manual do calouro e reposição de conteúdos deficitários. Estas foram as principais conquistas dos acadêmicos de Medicina um ano depois da greve estudantil, que ocorreu de 13 de agosto a 27 de outubro de 2014.

Todas essas conquistas mostram que o movimento ativista, considerado uma medida radical por alguns, seguido pela assídua continuidade de cobranças e árduo trabalho pelo Centro Acadêmico Livre de Medicina (CALM) Dr. Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti, trouxeram certamente grandes benefícios ao Curso de Medicina. Uma vitória que reflete os esforços dos estudantes pelos seus direitos, e pelos seus sonhos.

A nova gestão assumiu o CALM após as eleições, em 17 de novembro de 2014. Em um ano, a equipe priorizou o cumprimento do termo de conciliação, solicitação n.33507/2014, acordado na Comarca de Cáceres entre acadêmicos e Reitoria da UNEMAT durante a greve estudantil.


Conquistas efetivas

De 18 itens negociados, o CALM conseguiu garantir o cumprimento integral de seis. Das conquistas efetivas, o projeto pedagógico completo e coerente, item 1, foi entregue. O Curso de Medicina da UNEMAT também recebeu peças anatômicas humanas, com a chegada de cadáveres para o laboratório de anatomia (item 9), os quais também são utilizados por outros cursos de saúde da universidade. Os acadêmicos obtiveram a oferta de vacinas (item 12), em especial para H1N1.

O Hospital Regional de Cáceres Dr. Antônio Fontes disponibilizou identificação estudantil para atividades práticas (item 12). A Reitoria, por sua vez, implantou a rede wi-fi na Cidade Universitária (item 13) e possibilitou o acesso à base de dados acadêmicos e periódicos (item 14). 

Em menos de 12 meses, a Reitoria da UNEMAT gastou quase
cem mil reais em livros para o Curso de Medicina, os quais certamente
também serão utilizados por acadêmicos dos outros cursos da área de saúde.
Crédito: Lucas Rossato Chrun

Melhorias

Outros oito itens do termo de conciliação foram quase totalmente cumpridos, porém ainda existem algumas pendências. De acordo com a Coordenação do Curso de Medicina, todos os docentes fizeram o plano de ensino da disciplina (item 2), mas nem todos disponibilizaram o documento para os alunos ou seguiram as atividades à risca. Essas demandas foram cobradas pelo CALM por meio de reuniões frequentes com professores e gestores, e também via seis ofícios.

A disponibilização, na Biblioteca Central, de bibliografia mínima recomendada (item 3) foi parcialmente conquistada. Em menos de 12 meses, a Reitoria da UNEMAT gastou quase cem mil reais em livros para o Curso de Medicina, os quais certamente também serão utilizados por acadêmicos dos outros cursos da área de saúde. Assim, este benefício não se restringe apenas à área médica.

A qualificação dos professores para a metodologia PBL e educação continuada (item 4) foi quase totalmente concluída. O Curso de Medicina da UNEMAT promoveu a semana pedagógica com participação de grande parte dos docentes. Também, seis professores participaram de capacitação no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. Parte dos docentes de disciplinas do Morfofuncional também deve participar, ainda, de um curso de atualização de técnicas para manipulação de peças anatômicas.

Professores participaram de capacitação
no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo

Crédito: SBPH/Reprodução

Em 2015, a Coordenação do Curso de Medicina promoveu dois processos seletivos para a contratação de professores, em cumprimento do item 5 do termo de conciliação, que trata de docentes com requisitos mínimos para o cumprimento de carga horária. Professores de diferentes especialidades da área de saúde foram integrados ao curso. A maioria deles cumpre a carga horária mínima em sala de aula, conforme acordado em contrato, e registra a presença dos acadêmicos nas atividades de ensino.

Sobre o cumprimento e reposição de aulas (item 6), as demandas foram quase todas encaminhadas. Os conteúdos de Anatomia e Patologia foram repostos em janeiro de 2015 para as primeiras turmas e estão em constante avaliação para que os acadêmicos não tenham prejuízo. Uma disciplina nova foi criada, Interpretação Clínica de Exames Laboratoriais (ICEL), para sanar o déficit dos alunos sobre este tema. Porém, a principal disciplina com demanda vigente é Radiologia. Este tema, tão importante, foi pouco abordado no Curso de Medicina e necessita de uma solução urgente. O CALM buscou, por meio da Coordenação do Curso de Medicina, parcerias para que parte do conteúdo seja oferecida em forma de curso com outra instituição e está na expectativa também para a contratação de um docente capacitado para ministrar as aulas.

A respeito da revisão de critérios para a seleção de vagas remanescentes (item 15), houve uma mudança no processo seletivo para ingresso dos acadêmicos em vagas ofertadas, o qual ficou mais rigoroso. Também, CALM e Coordenação do Curso de Medicina trabalharam na elaboração de uma nova proposta de edital, o qual aguarda votação nas instâncias da universidade.

Sobre a construção do bloco do Curso de Medicina, incluindo laboratórios e restaurantes (item 17), a obra do prédio dos laboratórios foi retomada e segue sem interrupções. Infelizmente, a Reitoria da UNEMAT ainda resiste à criação do Restaurante Universitário, o qual também é reivindicado por outros cursos da instituição e beneficiará centenas de estudantes.

Em relação à regularização de convênios com instituições de saúde e prefeituras, vários processos foram feitos nesse sentido. Professores passaram a entregar os planos de ensino com calendário de atividades, além de ofícios, para as instituições de saúde. Os acadêmicos tiveram a entrada em hospital organizada, porém ocorreram problemas em relação a docentes que resistem em fazer o planejamento conforme combinado – casos estes que têm sido denunciados pelo CALM e cobrados dos professores pela Coordenação do Curso de Medicina. 


Negociação continua

De 18 itens acordados em conciliação, apenas quatro seguem em negociação. A oficialização do hospital ensino (item 8) ainda não foi concretizada. Esta demanda foi definida como prioridade no planejamento estratégico decenal do Curso de Medicina, e foram solicitadas reuniões com a coordenação do Hospital Regional de Cáceres Dr. Antônio Fontes para que este processo ocorra, conforme prevê a Portaria Interministerial número 285, de 24 de março de 2015. 

Alunos protestaram há um ano em frente ao HRCAF.
Passados 12 meses, a oficialização do hospital ensino (item 8),
porém, ainda não foi concretizada

A construção do biotério e de espaço para a disciplina de habilidades cirúrgicas (item 10) também não saiu do papel, segundo a universidade por falta de recursos. O CALM participou de, pelo menos, oito reuniões para tratar deste tema, porém esse item ainda não foi cumprido. O mesmo ocorreu com a questão do transporte entre os campi (item 18), que não foi solucionado.

A respeito da criação da Faculdade de Ciências Médicas (item 16), a própria Reitoria já havia definido no acordo de conciliação que não seria possível fazer a dissociação do Curso de Medicina da Faculdade de Ciências da Saúde. Porém, o CALM entende a importância do tema, em especial pela questão do calendário diferenciado da Medicina e pelo repasse de recursos, e conseguiu incluir no planejamento estratégico decenal do curso esta demanda. 


Ações estratégicas

Além do acordo de conciliação, o CALM também focou em ações estratégicas. Logo após o fim da greve, houve uma mudança na Coordenação do Curso de Medicina porque a relação entre a gestão anterior e os estudantes ficou desgastada. A nova coordenação, liderada pela Dra. Denise Cortela, buscou trabalhar sempre em parceria com o CALM na solução dos problemas, o que certamente impactou nos resultados positivos em 2015.

Entre eles, um dos principais é a institucionalização das ligas acadêmicas, com a certificação das atividades e fiscalização por meio do Conselho de Ligas. Ademais, o CALM regularizou a emissão de certificados para os discentes que fizeram parte do Centro Acadêmico, incluindo os membros da antiga gestão. 

Edições para as Turmas 6 e 7 do Manual do Calouro,
criado pelo CALM  com informações sobre a universidade,
sobre o Curso de Medicina e também sobre a cidade de Cáceres/MT

Detalhes das páginas do Manual do Calouro

Além disso, o CALM também criou o manual do calouro, com informações sobre a universidade, sobre o Curso de Medicina e também sobre a cidade. O documento traz os destaques da normativa acadêmica, a importância do movimento estudantil e as oportunidades de integração dos alunos por meio da Associação Atlética Acadêmica Dr. Antônio Fontes (Maldita), que promove eventos esportivos, atividades musicais com a bateria e festas de confraternização. O manual aborda, também, os livros mais utilizados e a metodologia ativa. Traz, por fim, dicas de imobiliárias, restaurantes e links interessantes para os recém-chegados à universidade.

Outra atividade de integração entre os alunos é o projeto MedCine, que traz filmes da área médica para reflexão sobre a profissão. As sessões ocorrem na universidade e contam com a participação de um docente convidado. Todos os alunos são estimulados a comentar sobre sua percepção do filme, fato que enriquece a discussão. 


Polêmica

A questão mais polêmica enfrentada pelo CALM foi em relação a supostas irregularidades no ingresso de acadêmicos no Curso de Medicina da UNEMAT por meio de vestibular e ENEM. Ciente da gravidade das denúncias recebidas, a gestão manteve-se atenta ao cumprimento dos requisitos do edital. A equipe buscou apurar as informações com base nas normativas acadêmicas e na importância da garantia de direitos e deveres dos estudantes.



Futuro

É certo que desafios ainda devem ser enfrentados, porém, o CALM acredita que o Curso de Graduação em Medicina poderá ser futuramente reconhecido como um dos melhores do país, referência na região de fronteira e no Centro-Oeste brasileiro. Tais méritos serão reflexos da atuação perseverante dos alunos em busca da melhor formação.



Gestão do CALM que lutou pelo cumprimento do acordo de conciliação após a greve. 
Da esquerda para direita, em pé, Felipe Monteiro Almeida
(suplente de tesouraria), Karina Moreira Silva (tesoureira), Alisson Vitor Esidio
(vice-presidente), Mauricio Akira Kimura Nakamura (suplente de secretaria),
Lucas Rossato Chrun (presidente), Fabiana Silva (docente), Leila Gattas
(coordenadora do Curso de Medicina) e Denise Cortela (coordenadora do Curso de Medicina).
Abaixados, Soraya Batista de Moraes (suplente da vice-presidência), Michel Alves
(diretor da DENEM) e Katiele Dalla Vecchia (suplente da presidência e depois secretária).
Crédito: Juliana Debei Herling (secretária do CALM) 
 

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

EDITAL N° 001/2015 – CALM – ELEIÇÕES PARA A GESTÃO 2015-2016



ELEIÇÕES CALM



EDITAL N° 001/2015 – CALM – ELEIÇÕES PARA A GESTÃO 2015-2016 DO CENTRO ACADÊMICO LIVRE DE MEDICINA DR. ADOLFO BEZERRA DE MENEZES CAVALCANTI

O Centro Acadêmico Livre de Medicina Dr. Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti, no uso de suas atribuições legais previstas no Estatuto do CALM, torna pública a abertura do Edital 001/2015 para a eleição da Gestão 2015-2016 do CALM.

1. DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

1.1. A eleição para a Gestão 2015-2016 do Centro Acadêmico Livre de Medicina Dr. Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti é organizada pela Comissão Eleitoral composta dos acadêmicos Gilson Miranda, da Turma 4, e Juliana Debei Herling, da Turma 2.

1.2. Após a divulgação das chapas candidatas à gestão do CALM, a Comissão Eleitoral contará com a participação de um integrante de cada chapa inscrita nestas eleições.

1.3. A Comissão Eleitoral convida todos os estudantes do Curso de Medicina da Unemat para montarem suas chapas e concorrerem às eleições do Centro Acadêmico Livre de Medicina.

2. DA INSCRIÇÃO DAS CHAPAS

2.1. As chapas poderão ser inscritas até as 17h de 21 de outubro de 2015 pelo e-mail midiaweb@gmail.com.

2.2. É necessária a inscrição contendo:

2.2.1. Nome da chapa.
2.2.2. Nome completo dos integrantes.
2.2.3. Registro geral e CPF de todos os integrantes.
2.2.4. Contato telefônico e e-mail de todos os integrantes.
2.2.5. Cargos dos integrantes na Diretoria, conforme item 2.4.
2.2.6. Nome do integrante da chapa que irá integrar a Comissão Eleitoral.

2.3. A Diretoria do CALM é composta, no mínimo, de cinco integrantes. Não há um número máximo de integrantes da chapa.

2.4. Os cargos obrigatórios a serem assumidos são: Presidente, Vice-Presidente, Secretário e Tesoureiro.
Parágrafo único: O quinto integrante pode não ocupar um cargo específico ou pode assumir a suplência de um cargo da Diretoria do CALM. Esta regra é aplicada aos demais integrantes da chapa, se houver.

3. DA DIVULGAÇÃO DAS CHAPAS INSCRITAS

3.1. No dia 22 de outubro de 2015, será divulgada no mural do curso e no grupo do CALM no Facebook a relação nominal das chapas e declarado aberto o prazo de 3 (três) dias úteis para impugnação, a qual deverá ser analisada e votada por reunião extraordinária da Comissão Eleitoral em até dois dias úteis após o registro dos argumentos para impugnação.

3.2. É vetada a participação nas eleições de uma chapa que não possua, pelo menos, cinco integrantes.

3.3. É vetada a participação nas eleições de uma chapa que não especifique a Diretoria proposta, com designação dos acadêmicos que concorrem a Presidente, Vice-presidente, Secretário e Tesoureiro.

3.4. Não poderá ocorrer repetição de candidatos em chapas diferentes, cabendo ao candidato, neste caso, optar pela chapa pela qual quer concorrer.

3.5. É vetado a todos os candidatos concorrer a mais de um cargo de diretoria dentro de uma mesma chapa.

3.6. Apenas sócios do CALM (alunos de Medicina) poderão concorrer aos cargos da diretoria.

3.7. A comissão eleitoral promoverá, no dia 26 de outubro de 2015, segunda-feira, às 19h, no auditório do Curso de Medicina, na Cidade Universitária, o debate entre as chapas concorrentes à eleição. Em caso de inscrição de uma única chapa, nesta referida data ocorrerá apresentação das ideias e propostas da chapa concorrente aos sócios.

4. DA VOTAÇÃO
4.1. A votação, com cédula individual por aluno, ocorrerá no dia 28 de outubro de 2015, quarta-feira, das 7h às 13h, no hall de entrada do curso, na Cidade Universitária. O resultado das eleições será divulgado em seguida.

4.2. A eleição só será válida se houver um número de votos totais, somando válidos e inválidos, maior que um quarto (1/4) do número total de alunos.

4.3. Se o número de votos totais for menor que o estipulado no item 4.2., as eleições poderão ser prorrogadas por mais 2 (dois) dias, até que seja completado o total mínimo de votos.

4.4. Se, mesmo com a prorrogação das eleições, o número mínimo de votos totais não for alcançado, a Comissão Eleitoral deve invalidar as eleições e publicar novo edital.

4.5. A cédula será única, rubricada por um componente da Comissão Eleitoral não candidato.

4.6. Os votos serão apurados imediatamente após o encerramento da votação.

4.7. A ata de eleição será lavrada imediatamente após a apuração dos votos e assinada por, pelo menos, um membro da Comissão Eleitoral não candidato e um representante de cada chapa.

4.8. Serão considerados votos nulos aqueles que estiverem rasurados, que impossibilitem a identificação da chapa escolhida pelo eleitor ou que não estejam rubricadas por um dos componentes da Comissão Eleitoral não candidato.

4.9. A chapa eleita será aquela que conseguir a maioria simples dos votos, lavrando-se a ata de posse no dia útil seguinte à publicação da ata de eleição.

5. DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

5.1. A Comissão Eleitoral fará o registro das chapas, o acompanhamento das eleições, a abertura e fechamento das urnas, a lavratura das atas de abertura e fechamento das urnas, a contagem dos votos e a lavratura e divulgação da ata de eleição.

5.2. A diretoria eleita terá mandato de um ano com início no dia útil seguinte à publicação da ata de eleição.

5.3. Cinco integrantes da chapa vencedora das eleições do CALM deverão assumir a coordenação do COLIG assim que a nova diretoria do CALM for empossada. O presidente do COLIG, integrante da gestão eleita do CALM, será escolhido entre os integrantes da chapa eleita pelos membros desta, e mandatoriamente não pode ser diretor(a) de Liga Acadêmica.

5.4. A Comissão Eleitoral é responsável por garantir que as eleições ocorram conforme este edital.

5.5. Os casos omissos referentes ao processo eleitoral serão dirimidos pela Comissão Eleitoral.

5.6. Mais informações sobre eleições e sobre o CALM podem ser encontradas no Estatuto da entidade, disponibilizado no mural e na página do curso no Facebook. Os alunos também podem solicitar no e-mail midiaweb@gmail.com uma cópia desse documento.


Cordialmente,
Comissão Eleitoral
Gilson Miranda

sexta-feira, 13 de março de 2015

Taques firma compromisso com acadêmicos para estruturar Curso de Medicina da UNEMAT

Governador de MT e estudantes de Medicina reuniram-se nesta sexta-feira para discutir liberação de orçamento


Governador Taques firma compromisso com Presidente do

 Centro Acadêmico Livre de Medicina (CALM), Lucas Rossato Chrun

Os acadêmicos de Medicina reuniram-se na tarde desta sexta-feira, 13 de março, com o governador do Estado de Mato Grosso, Pedro Taques, para cobrar as melhorias prometidas ao Curso de Medicina da UNEMAT. Foram apresentadas ao governador as solicitações da construção dos blocos de sala de aula e laboratórios, a aquisição de livros e equipamentos e a estruturação do Hospital Regional de Cáceres como Hospital Ensino para os cursos da área de saúde. Os alunos também solicitaram auxílio técnico para captação de recursos para os postos de saúde de Cáceres.

O governador Pedro Taques garantiu liberação de cerca de R$ 200 mil para a construção do bloco 3, que contempla os cursos de Medicina, Enfermagem e Educação Física. Também se comprometeu a analisar as demandas dos acadêmicos para que o Curso de Medicina forme médicos com qualidade. Taques firmou o compromisso com os acadêmicos de estruturar o Curso durante sua gestão. Esta é a segunda reunião depois da greve dos acadêmicos de Medicina da UNEMAT em 2014, que durou 76 dias.

Taques recebe documentos com as demandas do Curso de Medicina da UNEMAT

Os acadêmicos dizem que é preciso que o governo do Estado de MT libere o orçamento como contrapartida de recursos disponibilizados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), que expiram em 2016. Também citam uma emenda parlamentar para a construção dos blocos, a qual precisa da liberação de contrapartida do governo de MT para a elaboração dos projetos.

Sobre o Hospital Regional de Cáceres Dr. Antônio Fontes, os acadêmicos de Medicina pedem que o governador esteja aberto a receber propostas de transformação da instituição em Hospital Ensino e que arque os com custos necessários. Os alunos entendem que é atribuição do governo devido ao fato de o Hospital Regional de Cáceres ser gerido pela Associação Congregação de Santa Catarina, por meio de contrato celebrado com a Secretaria de Estado da Saúde para gestão e operacionalização das atividades e serviços.

Os acadêmicos também pedem que o governo de MT disponibilize corpo técnico para auxiliar a prefeitura de Cáceres a captar recursos para reestruturar os Postos de Saúde no município. A proposta beneficia os estudantes, que fazem atividades nos postos desde o primeiro semestre, e ainda a população de Cáceres, que cobra melhores condições de saúde.


Lucas Chrun explica demandas a Taques

Lideranças nacionais cobram melhorias prometidas pelo governador

O Curso de Medicina da UNEMAT recebeu em 2015 a atenção das lideranças estudantis das graduações de Medicina do Brasil. Preocupados com os problemas de infraestrutura, os líderes da Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina (DENEM) visitaram o Curso de Medicina em Cáceres e escreveram ofício entregue ao governador de MT cobrando soluções. Vieram à UNEMAT alunos da USP, UnB e UFPA.

Conforme a DENEM, a UNEMAT tem o papel de retorno à comunidade, e não basta apenas formar médicos, é preciso formá-los com qualidade. Como a UNEMAT é parte do Estado de Mato Grosso, é dever do governador prover as melhorias necessárias.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Acadêmicos do Curso de Medicina da Unemat decretam fim da greve estudantil



A greve estudantil dos alunos de Medicina da Unemat chegou ao fim nesta segunda-feira, 27 de outubro. O movimento, que durou 76 dias, terminou após a convocação enviada pela Reitoria exigindo o retorno às aulas a partir de 28 de outubro. 

Para os estudantes, o sentimento é de decepção com a postura da gestão da Unemat em cessar o diálogo durante a greve e exigir o retorno dos acadêmicos às salas de aula. Os alunos entendem, porém, que o fim da greve não implica no fim da busca por melhor qualidade de ensino. 

Apesar de a paralisação das atividades ter terminado, os acadêmicos garantem que acompanharão todos os itens acordados em audiência de conciliação para que as promessas feitas pela gestão da Unemat sejam cumpridas. Os acadêmicos lamentam que todos os itens do manifesto não foram conquistados, como era a proposta inicial, porém, reconhecem que o movimento de greve teve significativa importância dentro da universidade. Entre as mudanças, está a saída da docente Cláudia Cestari do cargo de coordenadora do Curso de Medicina e o acordo de reposição das aulas que ficaram pendentes desde a implantação do curso, em 2012. 


Conquistas

Com a greve, os acadêmicos conseguiram reuniões decisivas para conquista de melhorias para a universidade, como o encontro com o atual governador, Silval Barbosa, e com o senador e governador eleito Pedro Taques, que se comprometeu em trabalhar a reestruturação do curso na Lei Orçamentária Anual (LOA). Os estudantes também estiveram reunidos com os deputados estaduais e membros da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa, Ezequiel Fonseca, Airton Português e Alexandre Cesar. Os deputados reconheceram a importância do movimento estudantil e enfatizaram que o curso é um patrimônio e deve ser valorizado. Por isso, lutarão pelas melhorias reivindicadas pelos acadêmicos. 

Durante os 76 dias de paralisação das atividades, os alunos de Medicina da Unemat também se reuniram com a Coordenação do Curso de Medicina, com a direção da Faculdade de Ciências da Saúde, com o coordenador do campus de Cáceres, Anderson Marques do Amaral, com pró-reitores, com o reitor Dionei Silva e com a futura reitora Ana Maria Di Renzo, além de participação em reunião extraordinária no Colegiado Regional. Todos reconhecem que é preciso valorizar o curso de Medicina na Unemat e comprometeram-se a prover a infraestrutura necessária. Este compromisso foi firmado em audiência de conciliação, que ocorreu em 12 e 15 de setembro. 

A maior conquista da audiência de conciliação, conforme os estudantes, é a garantia da entrega do projeto político pedagógico em 30 de outubro, um compromisso firmado pela coordenação da Medicina. Sobre os livros, a Reitoria comprometeu-se na aquisição de alguns volumes até o fim do ano. O montante não é suficiente para suprir toda a demanda do curso, mas é um começo para futuras negociações, segundo acreditam os alunos. Esta demanda também foi solicitada ao senador Taques.

Outros itens reivindicados avançaram na negociação e serão cobrados pelos acadêmicos. Destacam-se a disponibilização de identificação estudantil, a contratação de recursos administrativos, a oferta de vacinas para estudantes, a oficialização do Hospital Ensino e o acesso à base de periódicos. 

Há pontos ainda criticados pelos acadêmicos, como critérios para seleção de vagas remanescentes, necessidade de criação da Faculdade de Ciências Médicas, oferta de internet wi-fi na Cidade Universitária, construção de biotério, transporte coletivo, restaurante universitário e entrega dos blocos de sala de aula e de laboratórios. Há questionamento na justiça também sobre o curso de capacitação de docentes e aquisição de peças anatômicas humanas. 

Durante a greve, a equipe da Prefeitura recebeu os alunos e comprometeu-se a ajudar na aquisição de livros e na questão do transporte, em parceria com a Unemat. O tema convênios também foi abordado, e houve ênfase na importância da regularização dos documentos.

Uma iniciativa do deputado Antônio Azambuja (PP) pode resultar numa parceria entre o Hospital Regional de Cáceres, Antônio Fontes, e a Unemat. A proposta é que a gestão do hospital fique sob a responsabilidade da Unemat. De acordo com o deputado Azambuja, uma indicação nesse sentido já foi encaminhada ao secretário de Estado de Saúde (SES), Jorge Lafetá, para análise de viabilização da proposta. 


Apoio

Um destaque da greve foi a recepção positiva entre docentes e técnicos de todos os cursos da universidade. Durante os 76 dias do movimento, estudantes de outros cursos também fizeram reuniões para discutir as condições de ensino na Unemat, o que mostra uma preocupação de toda a comunidade acadêmica. 

As reivindicações dos estudantes de Medicina da Unemat foram apoiadas também em outras universidades do país. Mais de 40 centros Acadêmicos de Medicina e Diretórios Centrais de Estudantes (DCE) de todas as regiões do Brasil emitiram notas públicas. Também externaram apoio Sindimed-MT, Associação dos Estudantes de Medicina do Brasil, União Nacional dos Estudantes (UNE), Revista Academia Médica, Associação dos Docentes da UFMT e Diretoria da Associação Médica Brasileira. 

Para os acadêmicos, o Curso de Medicina não é valioso somente para os estudantes. É uma conquista da população de Cáceres, que merece uma saúde melhor e uma cidade melhor. É uma conquista do Estado de Mato Grosso, que merece uma universidade de excelência. É por isso que, mesmo com o fim da greve, a busca por mais qualidade de ensino continua.


SAIBA MAIS

sábado, 18 de outubro de 2014

Comissão de Educação da AL reconhece legitimidade da greve da Medicina na Unemat

Ana Di Renzo e Dep. Ezequiel Fonseca. Crédito: Reprodução/Caminho Político

Os deputados estaduais e membros da Comissão de Educação da Assembléia Legislativa, Ezequiel Fonseca, Airton Português e Alexandre Cesar se reuniram na tarde desta quinta-feira, 16 de outubro, em Cáceres, com a equipe da Reitoria da Unemat e docentes da Medicina. Os estudantes souberam do encontro por meio da imprensa.

Para conseguir também conversar com os deputados, os acadêmicos de Medicina falaram diretamente ao telefone com o deputado Ezequiel Fonseca, que se prontificou a recebê-los na Reitoria após conversar com a equipe de gestão da Unemat.

Os estudantes, em greve há 67 dias, aguardaram cerca de três horas para serem ouvidos. Eles afirmam que a paralisação tem a intenção de reivindicar melhorias no ensino e protestar contra a falta de estrutura.

Para os deputados, todas as reivindicações são legítimas. Eles se comprometeram a tentar ajudar os alunos no que puderem para que seja possível o retorno às aulas o quanto antes e devem intermediar junto ao governador eleito Pedro Taques.

Os acadêmicos de Medicina da Unemat entendem que o campus da Cidade Universitária não oferece condições para retornar o semestre. Ainda assim, um calendário de reposição de aulas, que é um dos itens reivindicados em manifesto, está em negociação. Em reunião anterior com os professores, os alunos destacaram a importância da reposição com o suporte da bibliografia mínima, com os planos de ensino entregues e com o projeto pedagógico completo.

A futura reitora Ana Maria di Renzo disse, no encontro, que o termo assinado entre Reitoria e estudantes na audiência de conciliação é um compromisso firmado pela universidade. Ana Di Renzo também havia prometido, em 27 de fevereiro de 2013, que as obras na Cidade Universitária seriam retomadas em março daquele ano e que um novo convênio resolveria problemas de transporte entre os campi de Cáceres.

Dessa forma, os estudantes permanecem em greve até que as reivindicações do manifesto sejam atendidas, e não só prometidas.

Apoio dos professores


Os docentes do Curso de Medicina da Unemat montaram uma comissão para ajudar os alunos no diálogo com a Coordenação do Curso de Medicina e com a Direção da Faculdade de Ciências da Saúde. Os professores são representados pela Drª Catarina Maria Mesquita Garcia Dalbem, Drª Cassia Dalbem Teles, Drª Heloisa Miura e Dr. Marcio Garcia Barroso. 

Em 11 de outubro, alunos e a comissão de docentes estiveram reunidos por quase quatro horas para conversar sobre as reivindicações dos estudantes. O encontro também foi uma oportunidade para esclarecer boatos que ocorreram durante a greve. 

Os docentes mostraram-se preocupados com a situação e apontaram sugestões ao movimento dos estudantes. Para eles, os pedidos são justos, porém uma greve prejudica alunos, professores e a equipe da universidade. Por isso, é preciso uma união de todos para que as soluções sejam encontradas. 

Os estudantes explicaram que alguns pontos são imprescindíveis para que a negociação avance. Entre eles, estão a entrega do calendário de reposição de aulas dos conteúdos que ficaram pendentes, a entrega do Projeto Político Pedagógico completo, a aquisição de bibliografia mínima para as atividades e os planos de ensino também completos. Em resposta, os professores comprometeram-se a tentar ajudar os alunos no que for possível para que as melhorias para o Curso de Medicina ocorram. Segundo eles, algumas ações são prioridades, e outras reivindicações podem ser negociadas e acompanhadas ao longo das próximas semanas. 

Os alunos também pediram o apoio dos professores para o encaminhamento de outras questões importantes para o Curso, como a qualificação dos docentes, cumprimento de carga horária pelos professores, acesso à base de dados da Saúde, revisão da seleção de vagas remanescentes, construção do bloco do Curso de Medicina e construção do biotério. 

Outros itens importantes requeridos pelos alunos já haviam sido combinados em audiência de conciliação e estão em uma discussão mais avançada com a gestão da Unemat. Entre eles estão as pautas de recursos humanos, peças anatômicas humanas, oficialização do hospital ensino, regularização de convênios, acesso à internet wi-fi, vacinas e identificação estudantil. Questões como alimentação no campus e transporte coletivo ainda requerem mais discussão, assim como a criação da Faculdade de Ciências Médicas. 

Para os estudantes, a reunião com os docentes foi muito positiva. Os acadêmicos entendem a importância dos professores para a universidade, e a reunião reforçou que a atuação deles é fundamental para a melhor formação dos alunos. 


SAIBA MAIS

Proposta pode estabelecer parceira entre Unemat e Hospital Regional


Uma iniciativa do deputado Antônio Azambuja (PP) pode resultar numa parceria entre o Hospital Regional de Cáceres, Antônio Fontes, e a Unemat. A proposta é que a gestão do hospital fique sob a responsabilidade da Unemat.

De acordo com o deputado Azambuja, uma indicação nesse sentido já foi encaminhada ao secretário de Estado de Saúde (SES), Jorge Lafetá, para análise a viabilização da proposta. “É uma antiga reivindicação da população de Cáceres e região, bem como dos cursos da área de saúde que desejam a implantação de um Hospital Universitário”, afirmou o deputado.

Azambuja lembrou que o Estado, nos últimos anos, vem enfrentando dificuldades na gestão dos hospitais regionais. Segundo ele, os cursos de saúde da Unemat, como por exemplo Medicina, Enfermagem e Psicologia trariam um novo dinamismo à instituição. Com isso, de acordo com o parlamentar, a iniciativa irá disponibilizar mais médicos para integrar o corpo clínico, novas especialidades, alunos do curso de medicina, residentes, estagiários, enfermeiros e psicólogos, aumentando o acesso da população à efetiva prestação de serviço de saúde.

Autoria: Elzis Carvalho
Fonte: Comunicação AL


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