sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Um ano após a greve estudantil: muitas conquistas e esperança

O que mudou um ano depois da greve estudantil da Medicina UNEMAT
Crédito: Juliana Debei Herling

Criação do novo Projeto Político Pedagógico do Curso de Medicina da UNEMAT, institucionalização das Ligas Acadêmicas, retomada da obra dos laboratórios, aquisição de peças anatômicas humanas, compra de livros de Medicina para a Biblioteca Central no valor de quase cem mil reais, contratação de professores por meio de concurso e processos seletivos, obtenção de identificação estudantil para entrada em hospital, criação do manual do calouro e reposição de conteúdos deficitários. Estas foram as principais conquistas dos acadêmicos de Medicina um ano depois da greve estudantil, que ocorreu de 13 de agosto a 27 de outubro de 2014.

Todas essas conquistas mostram que o movimento ativista, considerado uma medida radical por alguns, seguido pela assídua continuidade de cobranças e árduo trabalho pelo Centro Acadêmico Livre de Medicina (CALM) Dr. Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti, trouxeram certamente grandes benefícios ao Curso de Medicina. Uma vitória que reflete os esforços dos estudantes pelos seus direitos, e pelos seus sonhos.

A nova gestão assumiu o CALM após as eleições, em 17 de novembro de 2014. Em um ano, a equipe priorizou o cumprimento do termo de conciliação, solicitação n.33507/2014, acordado na Comarca de Cáceres entre acadêmicos e Reitoria da UNEMAT durante a greve estudantil.


Conquistas efetivas

De 18 itens negociados, o CALM conseguiu garantir o cumprimento integral de seis. Das conquistas efetivas, o projeto pedagógico completo e coerente, item 1, foi entregue. O Curso de Medicina da UNEMAT também recebeu peças anatômicas humanas, com a chegada de cadáveres para o laboratório de anatomia (item 9), os quais também são utilizados por outros cursos de saúde da universidade. Os acadêmicos obtiveram a oferta de vacinas (item 12), em especial para H1N1.

O Hospital Regional de Cáceres Dr. Antônio Fontes disponibilizou identificação estudantil para atividades práticas (item 12). A Reitoria, por sua vez, implantou a rede wi-fi na Cidade Universitária (item 13) e possibilitou o acesso à base de dados acadêmicos e periódicos (item 14). 

Em menos de 12 meses, a Reitoria da UNEMAT gastou quase
cem mil reais em livros para o Curso de Medicina, os quais certamente
também serão utilizados por acadêmicos dos outros cursos da área de saúde.
Crédito: Lucas Rossato Chrun

Melhorias

Outros oito itens do termo de conciliação foram quase totalmente cumpridos, porém ainda existem algumas pendências. De acordo com a Coordenação do Curso de Medicina, todos os docentes fizeram o plano de ensino da disciplina (item 2), mas nem todos disponibilizaram o documento para os alunos ou seguiram as atividades à risca. Essas demandas foram cobradas pelo CALM por meio de reuniões frequentes com professores e gestores, e também via seis ofícios.

A disponibilização, na Biblioteca Central, de bibliografia mínima recomendada (item 3) foi parcialmente conquistada. Em menos de 12 meses, a Reitoria da UNEMAT gastou quase cem mil reais em livros para o Curso de Medicina, os quais certamente também serão utilizados por acadêmicos dos outros cursos da área de saúde. Assim, este benefício não se restringe apenas à área médica.

A qualificação dos professores para a metodologia PBL e educação continuada (item 4) foi quase totalmente concluída. O Curso de Medicina da UNEMAT promoveu a semana pedagógica com participação de grande parte dos docentes. Também, seis professores participaram de capacitação no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. Parte dos docentes de disciplinas do Morfofuncional também deve participar, ainda, de um curso de atualização de técnicas para manipulação de peças anatômicas.

Professores participaram de capacitação
no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo

Crédito: SBPH/Reprodução

Em 2015, a Coordenação do Curso de Medicina promoveu dois processos seletivos para a contratação de professores, em cumprimento do item 5 do termo de conciliação, que trata de docentes com requisitos mínimos para o cumprimento de carga horária. Professores de diferentes especialidades da área de saúde foram integrados ao curso. A maioria deles cumpre a carga horária mínima em sala de aula, conforme acordado em contrato, e registra a presença dos acadêmicos nas atividades de ensino.

Sobre o cumprimento e reposição de aulas (item 6), as demandas foram quase todas encaminhadas. Os conteúdos de Anatomia e Patologia foram repostos em janeiro de 2015 para as primeiras turmas e estão em constante avaliação para que os acadêmicos não tenham prejuízo. Uma disciplina nova foi criada, Interpretação Clínica de Exames Laboratoriais (ICEL), para sanar o déficit dos alunos sobre este tema. Porém, a principal disciplina com demanda vigente é Radiologia. Este tema, tão importante, foi pouco abordado no Curso de Medicina e necessita de uma solução urgente. O CALM buscou, por meio da Coordenação do Curso de Medicina, parcerias para que parte do conteúdo seja oferecida em forma de curso com outra instituição e está na expectativa também para a contratação de um docente capacitado para ministrar as aulas.

A respeito da revisão de critérios para a seleção de vagas remanescentes (item 15), houve uma mudança no processo seletivo para ingresso dos acadêmicos em vagas ofertadas, o qual ficou mais rigoroso. Também, CALM e Coordenação do Curso de Medicina trabalharam na elaboração de uma nova proposta de edital, o qual aguarda votação nas instâncias da universidade.

Sobre a construção do bloco do Curso de Medicina, incluindo laboratórios e restaurantes (item 17), a obra do prédio dos laboratórios foi retomada e segue sem interrupções. Infelizmente, a Reitoria da UNEMAT ainda resiste à criação do Restaurante Universitário, o qual também é reivindicado por outros cursos da instituição e beneficiará centenas de estudantes.

Em relação à regularização de convênios com instituições de saúde e prefeituras, vários processos foram feitos nesse sentido. Professores passaram a entregar os planos de ensino com calendário de atividades, além de ofícios, para as instituições de saúde. Os acadêmicos tiveram a entrada em hospital organizada, porém ocorreram problemas em relação a docentes que resistem em fazer o planejamento conforme combinado – casos estes que têm sido denunciados pelo CALM e cobrados dos professores pela Coordenação do Curso de Medicina. 


Negociação continua

De 18 itens acordados em conciliação, apenas quatro seguem em negociação. A oficialização do hospital ensino (item 8) ainda não foi concretizada. Esta demanda foi definida como prioridade no planejamento estratégico decenal do Curso de Medicina, e foram solicitadas reuniões com a coordenação do Hospital Regional de Cáceres Dr. Antônio Fontes para que este processo ocorra, conforme prevê a Portaria Interministerial número 285, de 24 de março de 2015. 

Alunos protestaram há um ano em frente ao HRCAF.
Passados 12 meses, a oficialização do hospital ensino (item 8),
porém, ainda não foi concretizada

A construção do biotério e de espaço para a disciplina de habilidades cirúrgicas (item 10) também não saiu do papel, segundo a universidade por falta de recursos. O CALM participou de, pelo menos, oito reuniões para tratar deste tema, porém esse item ainda não foi cumprido. O mesmo ocorreu com a questão do transporte entre os campi (item 18), que não foi solucionado.

A respeito da criação da Faculdade de Ciências Médicas (item 16), a própria Reitoria já havia definido no acordo de conciliação que não seria possível fazer a dissociação do Curso de Medicina da Faculdade de Ciências da Saúde. Porém, o CALM entende a importância do tema, em especial pela questão do calendário diferenciado da Medicina e pelo repasse de recursos, e conseguiu incluir no planejamento estratégico decenal do curso esta demanda. 


Ações estratégicas

Além do acordo de conciliação, o CALM também focou em ações estratégicas. Logo após o fim da greve, houve uma mudança na Coordenação do Curso de Medicina porque a relação entre a gestão anterior e os estudantes ficou desgastada. A nova coordenação, liderada pela Dra. Denise Cortela, buscou trabalhar sempre em parceria com o CALM na solução dos problemas, o que certamente impactou nos resultados positivos em 2015.

Entre eles, um dos principais é a institucionalização das ligas acadêmicas, com a certificação das atividades e fiscalização por meio do Conselho de Ligas. Ademais, o CALM regularizou a emissão de certificados para os discentes que fizeram parte do Centro Acadêmico, incluindo os membros da antiga gestão. 

Edições para as Turmas 6 e 7 do Manual do Calouro,
criado pelo CALM  com informações sobre a universidade,
sobre o Curso de Medicina e também sobre a cidade de Cáceres/MT

Detalhes das páginas do Manual do Calouro

Além disso, o CALM também criou o manual do calouro, com informações sobre a universidade, sobre o Curso de Medicina e também sobre a cidade. O documento traz os destaques da normativa acadêmica, a importância do movimento estudantil e as oportunidades de integração dos alunos por meio da Associação Atlética Acadêmica Dr. Antônio Fontes (Maldita), que promove eventos esportivos, atividades musicais com a bateria e festas de confraternização. O manual aborda, também, os livros mais utilizados e a metodologia ativa. Traz, por fim, dicas de imobiliárias, restaurantes e links interessantes para os recém-chegados à universidade.

Outra atividade de integração entre os alunos é o projeto MedCine, que traz filmes da área médica para reflexão sobre a profissão. As sessões ocorrem na universidade e contam com a participação de um docente convidado. Todos os alunos são estimulados a comentar sobre sua percepção do filme, fato que enriquece a discussão. 


Polêmica

A questão mais polêmica enfrentada pelo CALM foi em relação a supostas irregularidades no ingresso de acadêmicos no Curso de Medicina da UNEMAT por meio de vestibular e ENEM. Ciente da gravidade das denúncias recebidas, a gestão manteve-se atenta ao cumprimento dos requisitos do edital. A equipe buscou apurar as informações com base nas normativas acadêmicas e na importância da garantia de direitos e deveres dos estudantes.



Futuro

É certo que desafios ainda devem ser enfrentados, porém, o CALM acredita que o Curso de Graduação em Medicina poderá ser futuramente reconhecido como um dos melhores do país, referência na região de fronteira e no Centro-Oeste brasileiro. Tais méritos serão reflexos da atuação perseverante dos alunos em busca da melhor formação.



Gestão do CALM que lutou pelo cumprimento do acordo de conciliação após a greve. 
Da esquerda para direita, em pé, Felipe Monteiro Almeida
(suplente de tesouraria), Karina Moreira Silva (tesoureira), Alisson Vitor Esidio
(vice-presidente), Mauricio Akira Kimura Nakamura (suplente de secretaria),
Lucas Rossato Chrun (presidente), Fabiana Silva (docente), Leila Gattas
(coordenadora do Curso de Medicina) e Denise Cortela (coordenadora do Curso de Medicina).
Abaixados, Soraya Batista de Moraes (suplente da vice-presidência), Michel Alves
(diretor da DENEM) e Katiele Dalla Vecchia (suplente da presidência e depois secretária).
Crédito: Juliana Debei Herling (secretária do CALM) 
 

5 comentários:

  1. oi gostaria de saber se mesmo sem o hospital universitario os alunos estão atendendo em algum hospital da cidade como aula?

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  2. Muito bonito o que o CALM diz na teoria mas, a realidade é triste pois o curso de medicina não é levado a sério, haja vista veterinários e dentistas são os professores de medicina e práticas cirúrgicas são ministraras por enfermeiros. Que irresponsáveis obrigam alunos a realizar vacinas em crianças sem nunca terem visto tal assunto bem como toque ginecológico em pacientes grávidas no hospital São Luiz e no hospital regional. Estão brincando com vidas aqui em Cáceres/UNEMAT

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  3. Espero que o Conselho Federal de Medicina ofereça essa denúncia ao Ministério Público e que seja rigorosamente Apurado e logo CORRIGIDO. Para que vidas em Cáceres MT sejam poupadas

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